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6 lições que aprendi em 6 anos de bordado profissional

Atualizado: 2 de nov. de 2025

“Deixe-se silenciosamente atrair pelo que você realmente ama. Ele não o desviará do caminho.”

Rumi


Há seis anos, publiquei meu primeiro post no Instagram, sem seguidores, sem certezas, apenas com uma caixinha de agulhas, algumas linhas e uma vontade profunda de recomeçar. O que nasceu da esperança se transformou em profissão, propósito e modo de viver. Hoje, o bordado é muito mais do que minha arte: é minha linguagem interior, o lugar onde o tempo desacelera e a minha alma respira.


Essas são as 6 lições que aprendi nesse caminho têxtil entre técnica, introspecção e muita presença como o bordado ensina.


1. A natureza ensina o olhar

Aprendi a bordar observando o mundo natural: o contorno de uma pétala, o degradê de cores nas penas de um pássaro, a assimetria das folhas, a luz e sombra no corpo de um inseto. A natureza é uma professora silenciosa, nela entendo que a beleza nasce do imperfeito, do espontâneo e do que se repete com variação.


2. Bordar é presença

O bordado me ensina a estar no agora, inteira, atenta, respirando junto com a linha que sobe e desce. Cada ponto é uma pausa no ruído, um convite para o instante presente. Enquanto bordo, percebo a mais profunda conexão comigo mesma, livre do domínio dos pensamentos automáticos e das narrativas internas que nos aprisionam no passado ou nos projetam para o futuro. Essa presença é o que transforma o gesto manual em um gesto sagrado.


3. Construa seu próprio caminho

No bordado ou em qualquer forma de arte, é muito fácil cair na comparação: olhar o trabalho do outro e achar que o nosso é simples demais, lento demais, imperfeito demais. Mas o bordado é o oposto da pressa ele é feito no tempo da alma. Cada ponto que você dá carrega não só a cor e o fio, mas também a sua história, suas vivências, e seu olhar sobre o mundo. Construir o próprio caminho é descobrir o que te move, o que te emociona, o que te representa. Talvez seja uma flor que você ama, uma cor que sempre aparece nos teus trabalhos, uma textura que ninguém faz igual. Esses detalhes são as impressões digitais da tua alma bordadeira, o que torna teu trabalho inconfundível. No fundo, essa lição fala sobre autorrespeito e coragem criativa, seguir o teu compasso, bordar o que te inspira, e não o que o mundo espera. Porque é aí que nasce a arte no encontro entre a sua verdade e o tecido do tempo.


4. Bordar vai além do bordado

Bordar é pesquisa constante. É estudar cores, luzes, tecidos, fios, mas também formas, arte, história, lugares e natureza. As referências não estão apenas em outros bordados, mas em tudo o que desperta o olhar: uma pintura, uma escultura, uma fotografia, uma viagem, uma estação do ano, a praça do seu bairro, um filme ou um livro. O bordado é, antes de tudo, cultura visual transformada em gesto.


5. Bordar não é dom, é pratica

Essa é a lição mais libertadora. Bordar não é um dom reservado a poucos, é o resultado de repetição, paciência e olhar treinado. Com o tempo, as mãos aprendem, o olhar se refina, e as linhas começam a obedecer à intenção. Eu sou a prova de que é possível aprender a bordar na vida adulta, sem antes ter tido quase nenhum contato com as artes têxteis. Bordar é um ato de resiliência e coragem. É se permitir errar e saber que é sempre possível desmanchar e recomeçar.


6. O tempo é verdadeiro fio

Com o bordado, aprendi que o tempo não é inimigo é o mestre mais silencioso de todos. Ele ensina o ritmo das mãos e dos pensamentos, a paciência do gesto e a beleza do inacabado. Cada ponto é um diálogo com o tempo: é preciso confiar que aquilo que hoje parece lento está apenas amadurecendo. O bordado me mostrou que o tempo não serve apenas para produzir, mas para revelar. Como diria Byung-Chul Han, vivemos em uma era que valoriza a rapidez, mas a verdadeira criação nasce da demora, do olhar que repousa, da mão que repete, do coração que escuta.


Ayeska Hübner

Certa de que ainda tenho muitos anos de bordado e mais lições a serem aprendidas pela frente, penso que bordar é costurar o tempo, a presença e o amor, até que a alma reconheça sua própria forma.


Com carinho,

AH 💌


3 comentários


Marize
03 de nov. de 2025

Muito lindo ver você transformando tudo em poesia. Lembro de sua dor com a perda da página. Sua forma de se expressar e viver traz refrigério pros dias tão conturbados que vivemos. Siga voando, Ayeska e compartilhando conosco. Sucesso sempre. 🙏😘

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@tacianaottoni
03 de nov. de 2025

Querida Ayeska , vc foi e é minha inspiração para ter começado a bordar.

Me tornei sua aluna no curso do Saíra Ferrugem.

E a partir dele conseguir bordar outros pássaros e o que mais tenho vontade de bordar.

Sou grata pelos ensinamentos passados .

Um abraço da sua aluna e amiga.

Ficou lindo seu site e ansiosa para o lançamento do livro !!

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Ayeska Hübner
Ayeska Hübner
03 de nov. de 2025
Respondendo a

Ahh que demais ler o seu comentário querida amiga! Vc está sempre presente aqui com as xícara mágicas, nos meus melhores momentos! Saiba disso! Forte abraço e volte sempre por aqui..🌷

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